Sexta-feira, Julho 03, 2009

Raven on the Wing

Há poucos desportos que possuam uma expressão mundial como o é o caso do futebol. Muito embora a sua origem britânica seja relativamente recente, na sua forma actual, este desporto conseguiu atingir uma enorme popularidade, a que estão associados negócios milionários e que encontra eco nas mais variadas formas de expressão, de que os quadradinhos não constituem excepção. O que é curioso é que, em Portugal, onde é sem dúvida a mais popular entre todas as modalidades, tenha tido muitos poucos casos de adaptações ou criações sob a forma desenhada, exceptuando-se as aventuras de João Davus, Campeão de Futebol, da autoria de Vítor Péon, a que já nos referimos anteriormente, e um álbum sobre a vida de Eusébio, de Eugénio Silva.

Porém, já no Reino Unido não foi bem assim. Para além das conhecidas aventuras de Roy of The Rovers, houve diversas histórias e personagens cujas histórias tinham como pano de fundo o futebol. E Raven on the Wing é uma delas.

Esta série de aventuras, embora não tenha sido das que granjearam um maior número de adeptos, focava a sua atenção num jovem cigano que foi descoberto num acampamento e que se caracterizava por jogar descalço, sendo possuidor de um remate fortíssimo e quase indefensável. As suas aventuras surgiram na revista Valiant durante os anos 60 e 70 do século passado, com argumentos de
Tom Tully
, e desenhos de, entre outros, Francisco Solano Lopez, cuja referência encontrei aqui, e John Stokes. Muito embora o primeiro seja mais conhecido pelo seu trabalho em El Eternauta, este artista argentino colaborou durante vários anos com publicações europeias, entre as quais as britânicas, até meados da década de 1970, sendo Kelly’s Eye uma das mais conhecidas séries em que trabalhou. O segundo artista, John Stokes, de nacionalidade britânica, trabalhou para o grupo editorial IPC e para a Marvel UK, sendo Fishboy uma das suas mais populares criações.

A página original aqui apresentada foi publicada na edição especial extra de Lion/Valiant de 1970, sendo supostamente da autoria de John Stokes, muito embora não apresente qualquer assinatura identificativa de autoridade, nem datação. A dimensão da mancha é de 39,9 por 30,4 cm e a do papel é de 45 por 31,8 cm, aproximadamente.




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Few sports have such a global expression as football. Although its British origin is relatively recent, this sport has achieved enormous popularity, being also associated to a billionaire business and manifested itself in various forms of expression, among which the comics industry. In Portugal, it's the most popular among all sports, and it is curious that there are only a few cases of football comics, namely the adventures of John Davus, the football champion, by Vítor Péon, already mentioned in a previous post, and an album about the life of Eusébio by Eugénio Silva.

However, in the UK it was not so. Besides the very well-known adventures of Roy of The Rovers, there were several stories and characters whose adventures had for background the world of football. And Raven on the Wing is one of these cases.

This series of adventures, although not having a larger number of fans, focused its attention on a young boy who was discovered in a gypsy camping and played barefoot, beeing the owner of a quite strong and almost indefensible shot. His adventures appeared in the magazine Valiant during last century 60s and 70s, with arguments by Tom Tully, and drawings by Francisco Solano Lopez and John Stokes, among others. While the first is best known for his work in El Eternauta, this Argentine artist cooperated for several years with a few European publications until the mid-1970s, including the British, and Kelly's Eye is one of the most popular series he worked on. The second artist, the British John Stokes, worked for publishing group IPC and Marvel UK, and Fishboy was one of his most popular creations.

The original art page presented here was published in Lion/Valiant 1970's special extra edition and is supposedly by John Stokes, although it shows no signature and no dating. The size of the drawings is 39,9 by 30,4 cm and the size of the paper is 45 by 31,8 cm, approximately.

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Quarta-feira, Julho 01, 2009

A revista O Papagaio, número 1

A revista O Papagaio surgiu em Abril de 1935, tendo durado até Fevereiro de 1949, com 722 números publicados, com periodicidade semanal, sendo impressa a duas cores, com páginas a preto e branco e a quatro cores.

Sendo uma das revistas de referência das histórias aos quadradinhos portugueses, começou por apresentar muito poucas séries de quadradinhos, dedicando a maior parte das suas páginas a artigos diversos, desde pequenos contos a passatempos e curiosidades, tentando manter um cariz didáctico muito ao espírito da época e do regime em que então se vivia em Portugal. No entanto, nas suas páginas podíamos encontrar diversas ilustrações.

Nas páginas do primeiro número, contam-se apenas uma página e cerca de mais meia página dedicada a esta forma de expressão: uma página intitulada Sabichão em calças pardas, assinada por Tom, ou seja, Thomaz de Melo (1906-1990), e seis pequenas vinhetas de As aventuras de Quim e Manecas, de Stuart Carvalhais.

Em números posteriores, o espaço dedicado à 9ª arte foi crescendo, tendo divulgado no nosso país as aventuras de Tintin, que surgiu com o nome Tim-Tim.

No início, o seu director e editor foi Adolfo Simões Müller, tendo em fases posteriores dirigido a revista Artur Bivar e Laurinda de Moura Borges Magalhães, passando a sua propriedade para a Revista Renascença, Lda.

Este primeiro número possui 12 páginas, e um suplemento de 4 páginas, onde se incluía um jogo de futebol Portugal-Espanha nas páginas centrais.


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O Papagaio was first published in April of 1935, and lasted until February of 1949, totalizing 722 weekly issues, and was printed in two colours, with pages in black and white and four colours.
It is one of the Portuguese historic comics, and in its beginning presented only a few comics, dedicating most of its pages to various articles, short stories, hobbies and curiosities, a lot of them quite didactic, according to the spirit of the regime that prevailed in Portugal. However, we could find quite a lot of illustrations.
In this first issue, there is only one page and nearly a half-page devoted to this form of expression: one page called Sabichão em calças pardas, by Tom, or Thomaz de Melo (1906-1990), and six small panels of the adventures of Quim and Manecas by Stuart Carvalhais.
In subsequent issues, the space devoted to the 9th art has grown, and among other series it published in our country the adventures of Tintin, which appeared under the name Tim-Tim.
In the beginning, its director and editor was Adolfo Simões Müller, later Artur Bivar and Laurinda Moura de Magalhães Borges, and it was owned by Revista Renascença, Ltd.
This first issue has 12 pages and a supplement of 4 pages, which included a football match Portugal-Spain in the centre pages.

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Segunda-feira, Junho 29, 2009

Números Especiais do Cavaleiro Andante - Junho de 1955

Este número especial do Cavaleiro Andante foi editado no Verão de 1955, e é relativo ao mês de Junho desse ano. É em tudo idêntico aos números editados anteriormente. A impressão era a preto e branco ou a uma cor, ocasionalmente a duas cores, havendo algumas páginas impressas totalmente a cores.

A história mais longa, com 40 páginas, intitula-se A Pradaria, e é baseada numa história de James Fenimore Cooper (1789-1851), sendo desenhada por Raph Marc, supostamente Raphaël Carlo Marcello (1929-2007). Esta história tem a particularidade de apresentar texto narrativo por baixo das vinhetas, embora algumas delas tenham balões, prática que era habitual em muitas publicações de quadradinhos nacionais.

Surgem ainda algumas histórias curtas: com 4 páginas, Aventura no Mar não apresenta indicação de autoridade, tendo sido publicada com duas páginas a cores; igualmente sem indicação de autor é Sexton Blake em O Mistério da Feira, que possui apenas duas páginas, tendo sido originariamente publicada na revista britânica Knockout em 1953, com o título original Sexton Blake and the Funfair Mystery, tendo possivelmente sido desenhada por Graham Coton. Há ainda uma história de 1 página, desenhada por Bob de Moor, no seu estilo habitual de linha clara, e uma outra história intitulada Vincent Van Gogh, igualmente com 1 página, com assinatura de S. André, que supomos ser Suzanne André, uma das raras desenhadoras desta época (Bélgica, 1909-?).

As anedoras ilustradas da última página são da autoria de Artur Correia.

Surgem, como habitualmente, diversas páginas com contos e artigos sobre curiosidades diversas, problemas policiários, passatempos, e nas páginas centrais é publicado um Jogo de Futebol para recortar e montar.

A digitalização foi realizada a 150 dpi, e as miniaturas a 72 dpi. Para aceder às imagens de maior dimensão, bastará clicar em cada uma das miniaturas.



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This special issue of Cavaleiro Andante was published in the summer of 1955, in the month of June of the same year. It is identical to previously published issues. Printing was done in black and white or in one colour, occasionally in two colours.
The longest story, 40 pages long, is called The Prairie, based on a story by James Fenimore Cooper (1789-1851), and it was drawn by Raph Marc, supposedly Raphaël Carlo Marcello (1929-2007). Although having balloons, this story has the particularity of presenting narrative text beneath the panels, which was usual in many Portuguese comics.
There are also some short stories: with 4 pages, Adventure at Sea shows no indication of author and was published with two full colour pages; also with no indication of the author is Sexton Blake in The Mystery of the Fair which is two pages long and was originally published in the British Knockout magazine in 1953, with the original title Sexton Blake and the Mystery Funfair. It was probably drawn by Graham Coton. There is a one page story drawned by Bob de Moor, in his usual style, and another one page story on Vincent Van Gogh, signed S. André, which we assume is Suzanne André (Belgium, 1909 -?), one of the few women artists of this time.
The last page cartoons were drawn by Artur Correia.
There are, as usual, several pages with stories and articles on various themes, detective quizzes, hobbies, and in the centre pages there is a Football Game to cut and assemble.
The scan was performed at 150 dpi, and the thumbnails at 72 dpi. To access larger images, click on each thumbnail.

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Billy Bunter

Um dos anti-heróis mais conhecidos dos comics britânicos é, sem sombra de dúvida, Billy Bunter. Mas, muito antes de ter surgido nos quadradinhos, o seu aparecimento data de 1908, na revista The Magnet, tendo sido uma criação de Charles Hamilton, sob o pseudónimo de Frank Richards, embora tenha anteriormente surgido na revista The Gem, com características algo diferentes. Ganhou desde o início uma enorme popularidade, o que originou uma boa quantidade de livros com esta personagem, peças de teatro, uma série televisiva, transmitida entre 1952 e 1961, para além de histórias aos quadradinhos.




Excerto de um episódio da série televisiva


Foi na revista Knockout que fez a sua primeira aparição em 1940, inicialmente com desenhos de C. H. Chapman, um ilustrador que trabalhara para a revista The Magnet, que entretanto deixara de publicar-se por diversas razões, entre as quais a redução de circulação e a subsequente subida do preço de capa, bem como a crise de papel provocada pela II Guerra Mundial. A responsabilidade dos desenhos passou por diversas mãos até Frank Minnit (1894-1958) ter sido chamado a concretizá-los, o que durou até os editores considerarem o estilo de Minnit algo ultrapassado e lhe retirarem a série, tendo-lhe sucedido Reg Parlett até 1961, quando a revista Knockout foi extinta, passando a publicar-se em Valiant até 1976, mas algumas das suas histórias foram publicadas em revistas posteriores. Na Holanda, a personagem atingiu alguma popularidade enquanto Billie Turf, sendo as suas histórias publicadas em álbuns até aos dias de hoje.

Algumas das publicações onde surgiu a personagem.
O que tinha de especial esta personagem para que tenha alcançado tanto sucesso? Billy era um rapaz obeso, míope, cobarde, preguiçoso, narcisista, cujos interesses não iam além de comer e engendrar planos atrás de planos para conseguir obter comida, os quais frequentemente falhavam e davam origem às mais diversas punições. Passado em grande parte no ambiente de uma escola pública britânica, muitas das personagens secundárias eram colegas ou professores, em particular o director da escola, que eram quem se encarregava de aplicar os castigos a Billy Bunter, os quais, na tradição do ensino do Reino Unido, passavam por ser vergastado com uma vareta pelo director ou ser pontapeado pelos colegas, que dele troçavam com frequência.

No entanto, a sua capacidade de ultrapassar estas situações, a sua persistência ao nunca desistir de elaborar esquemas para atingir os seus objectivos faziam com que fosse visto com alguma complacência pelos seus fãs, que apreciavam o seu espírito combativo, bem como as situações, muitas vezes hilariantes, que resultavam das diversas tentativas em alcançar os seus propósitos, servindo-se de uma capacidade inata para o ventriloquismo de que se servia com frequência e que propiciava alguns dos momentos mais interessantes, para além do facto de os leitores verem nesta série uma crítica mordaz ao sistema educativo britânico e um retrato, embora algo distorcido, das suas próprias vivências.

A página original aqui apresentada terá sido publicada na revista Knockout a 2 de Julho, segundo nota manuscrita, acompanhada da indicação «dreadfully urgent» e a numeração 9814 e 9815, mas não há indicação de ano nem de autoridade, tendo sido desenhada por Frank Minnit. Trata-se de um conjunto de duas tiras, com a dimensão total de 43,5 por 27 cm para os desenhos e de 47 por 30 cm para o papel, aproximadamente. No verso, existe um esboço de uma das tiras, supostamente a primeira, a lápis.




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Esboço a lápis do verso do papel. Clique para aumentar.

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One of the most famous anti-heroes of British comics is with no shadow of a doubt, Billy Bunter. But long before making its appearance in comics, it was published in 1908 in The Magnet, written by Charles Hamilton, under the pseudonym Frank Richards. However it had previously appeared in the magazine The Gem, with somewhat different characteristics. Billy Bunter achieved from the beginning a huge popularity, which led to a good number of books, plays, a television series, broadcasted between 1952 and 1961, in addition to comics.

Bunter made his first appearance in 1940, in Knockout, with drawings by C. H. Chapman, an illustrator who worked for the magazine The Magnet, that ceased to be published by quite a number of reasons, which included the reduction of circulation and the increase in price, and also the paper shortage due to World War II. The responsibility of the series belonged to several artists until Frank Minnit (1894-1958) was called to draw it, but after a number of years editors considered that Minnit's style was outdated, and Reg Parlett took over until 1961, when the magazine Knockout was extinguished.

Billy Bunter also appeared in Valiant until 1976, but some of its stories were published in later comics. In The Natherlands, the character has gained some popularity as Billie Turf, and its stories have been published in albums until today.

But what had this character that was so special in order to achieve such success? Billy was a fat myopic boy, a coward, lazy, narcissistic guy, whose interest was uniquely to eat a lot and generate plans after plans to get food and do nothing, which often failed and gave place to a lot of different punishments. The stories took place on a British public school and many of the secondary characters were colleagues or teachers, in particular the Director of the school. All of them used to punish constantly Billy Bunter, which, in the tradition of United Kingdom schools, was whipped now and then by the Director or kicked in the but by colleagues. However, his ability to overcome these situations, his persistence to never give up and elaborate quite a number of schemes to achieve his objectives was seen with some complacency by his fans, who appreciated his combative spirit, and the situations created, some of them quite hilarious, which resulted from the various attempts to achieve his purpose, accompanied by an innate ability to ventriloquism that he frequently used and that provided some of the most interesting scenes, besides the fact that readers saw in this series a scathing critique of the British educational system and a view, although somewhat distorted, of their own experiences.

The original art page presented here has been published in the July 2nd Knockout, according to an handwritten note, with a note reading «dreadfully urgent» and the numbers 9814 and 9815 but it presents no indication of the year nor the name of the author, having been probably drawned by Frank Minnit. The page has two strips, with the total size of 43,5 by 27 cm for the drawings, and 47 by 30 cm for the paper, approximately. On the back there is an outline of the first panel, by pencil.

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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Números Especiais do Cavaleiro Andante - Natal de 1956

Este número especial do Cavaleiro Andante foi editado no Natal de 1956, e é relativo ao mês de Dezembro desse ano. Como no caso anterior, relativo ao Natal de 1954, o número de páginas era maior, num total de 100, sendo em tudo o resto idêntico aos números editados anteriormente. A impressão era a preto e branco ou a uma cor, ocasionalmente a duas cores.

A história mais longa, com 45 páginas, intitula-se O Enigma do Castelo, sendo da autoria de Paape (Eddy Paape).

De autor desconhecido, a aventura A Senda dos Mistérios ocupa 19 páginas, havendo ainda uma aventura com 4 páginas intitulada Balada do Natal, assinada F. Bielsa e datada de 1955, que não estamos seguros se se tratará de José Bielsa. Há ainda duas histórias de uma página: Columbano, da autoria de José Ruy e Caçada Original, sem indicação da autoridade, mas que cremos ser da autoria de Bob de Moor (Bélgica, 1925-1992), em estilo linha clara. No entanto, esta edição inclui algumas páginas centrais que poderiam ser dobradas em metade do formato, e que apresentam duas aventuras: uma delas tem o título O Talismã de Sagur, não estando assinada, e ocupa 11 pranchas; uma outra está assinada S. Angiolini, tratando-se de Sandro Angiolini, sendo intitulada Alaska Joe em Prisioneiro dos Hurons, possuindo 5 pranchas, apresentando-se desenhada em estilo caricatural. As páginas centrais contêm um calendário para 1957, com desenhos de Fernando Bento.

Para além das histórias aos quadradinhos, existem ainda as rubricas habituais, dedicadas aos passatempos, ao desporto, a curiosidades, e um conto.

De notar que este número possuiu duas edições diferentes: uma em capa mole e outra encadernada, sendo a capa desta última uma versão em tudo idêntica à da capa mole.

A digitalização foi realizada a 150 dpi, e as miniaturas a 72 dpi. Para aceder às imagens de maior dimensão, bastará clicar em cada uma das miniaturas.



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