Vinhetas soltas - 8
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Rudolph Dirks foi um dos pioneiros na utilização dos balões como modo de apresentar os diálogos nos quadradinhos norte-americanos, e o seu estilo foi também inovador sob diversos aspectos.
Nascido na Alemanha em 1877, Dirks emigrou com a família para os Estados Unidos ainda criança, tendo começado a desenhar desde muito cedo e a vender o seus desenhos para algumas revistas norte-americanas. Entrando para o serviço do New York Journal em 1897, foi para este jornal que criou a série The Katzenjammer Kids, em página dominical, grandemente inspirada em Max und Moritz, de Wilhelm Busch e que se debruçava sobre as diabruras de dois rapazitos, Hans e Fritz, e um número mais ou menos restrito de vítimas, entre as quais a sua própria mãe e o Capitão, que iria estar na origem do novo título da série.
Em 1912, Dirks resolveu regressar à Europa e William Randolph Hearst, porventura o maior proprietário de jornais norte-americanos da época, cuja figura esteve na origem do filme de Orson Welles intitulado Citizen Kane (O mundo a seus pés), decidiu retirar-lhe a série, o que o levou a tribunal, numa disputa legal que terminou com Dirks a ter o direito de continuar a desenhar os personagens, mas sem poder utilizar o título de The Katzenjammer Kids. A série surgiu então em jornais rivais, de Joseph Pulitzer, a partir de 1914, primeiramente sem título, logo depois Hans und Fritz e finalmente, quando os Estados Unidos entraram na I Guerra Mundial e os nomes alemães se tornaram impopulares, The Captain and the Kids, designação que iria manter até ao seu final.
Curiosamente, Hearst não desistiu de publicar a série, que foi entregue ao desenhador Harold Knerr, sendo assim publicadas simultaneamente duas versões diferentes, com os mesmos personagens e os mesmos ambientes, mas com nomes diferentes; enquanto na versão do The New York Journal os personagens habitavam as ilhas Squee-Jee, na versão de Dirks estas davam pelo nome de ilhas Cannibal. Ambas tiveram também tiras diárias, para além das páginas dominicais.
Durante décadas, Dirks encarregou-se de desenhar as pranchas dominicais, com um curto intervalo em inícios dos anos 20, tendo-o substituído Oscar Hitt, e depois, entre 1932 e 1933, foi Bernard Dibble, que desenhava a tira diária, que igualmente se encarregou da página dominical. A seguir ao final da II Guerra Mundial, Rudolph Dirks passou a ser assistido pelo filho, John Dirks, que acabou por ir gradualmente assumindo a responsabilidade de desenhar a série, até tomar conta da sua realização em 1968, após a morte do pai, até ao seu final, em 1979. No entanto, a sua rival Katzenjammer Kids ainda hoje se publica, distribuída pela King Features Syndicate, com desenho de Hy Eisman.
The Captain and the Kids surgiu igualmente em revista, a partir de 1941, no comic-book Sparkler Comics, possuindo título próprio depois de 1947.
Entre 1938 e 1939, foram realizadas várias curtas-metragens de animação pela MGM.
A sua popularidade em Portugal não foi muito grande, sendo mais conhecida pela revista brasileira Os Sobrinhos do Capitão, que circulou no país nos anos 60 e 70. No entanto, foi recentemente (em 2003) publicada pela Gradiva uma edição com estes personagens.
A página aqui apresentada, apresentando o nome de R. Dirks, terá sido provavelmente desenhada pelo filho, John. Datada de 15 de Dezembro de 1963, as suas dimensões são de 59,8 por 42,1 cm para o papel e de 57,2 por 38,7 cm para a mancha, aproximadamente.
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