Vinhetas soltas - 12
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Tony Weare (Reino Unido, 1912-1994) criou a série Matt Marriott para a empresa Associated Newspapers, sendo publicada no jornal London Evening News entre 1955 e 1977, com argumento de Jim Edgar, mas este autor trabalhou igualmente para outras publicações, como a Mickey Mouse Weekly, depois de ter sido desmobilizado do exército, e desenhou outras séries dedicadas aos westerns, como foram o caso de Billy the Kid e Jesse James, ou ainda Jack the Ripper, ou Rockwood, na Look & Learn, trabalhando igualmente para The Daily Mirror e The Daily Express.
Matt Marriott é uma série emblemática para quem gosta dos ambientes do oeste norte-americano. Desenhado a caneta e a tinta da china, com traços finos e contrastes de luz/sombra com zonas de negro, o seu desenho naturalista, os retratos humanos esboçados de uma forma bem realista e crua, em que não havia nenhuma preocupação em desenhar os personagens com uma aparência de estrelas de cinema, a forma como os planos eram desenhados, o que não é nada fácil tendo em consideração a quase obrigatoriedade de desenhar cada tira diária em três vinhetas sucessivas, em que o quotidiano parece estar retratado de uma maneira completamente natural, tudo nesta série contribuiu para a tornar memorável.
Se ao aspecto artístico juntarmos os argumentos, de um interesse humano, não se limitando a simples perseguições entre heróis e malfeitores, poderemos afirmar que esta série é uma das mais originais e mais interessantes jamais desenhadas sobre a muito explorada temática dos westerns, que na maior parte dos casos obedeceu a estereótipos e uma banalização da figura do herói.
Em Portugal, muitas das suas aventuras foram publicadas no Mundo de Aventuras, grande parte das vezes com uma fraca impressão e com cortes devido à necessidade de adaptar a montagem das tiras diárias às páginas da revista. Mas houve felizmente a possibilidade de contactarmos com a arte de Tony Weare, que terá abandonado o desenho já nos anos 80 para se dedicar à pintura e que, segundo consta, terá deixado um desenho à sua filha em que se auto-retratava afogado com um dos pés fora de água antes de se suicidar aos oitenta e dois anos atirando-se à água na Cornualha.
A tira da minha colecção, aqui apresentada, não está datada, mas apresenta a indicação 6668, a lápis, como frequentemente acontece com as tiras britânicas, que não são datadas, mas sim numeradas. O nome do autor surge inscrito junto ao do personagem. A dimensão da mancha é de 41,8 x 11,7 cm e a do papel de 46 x 15,9 cm, aproximadamente.
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