segunda-feira, março 21, 2011

A revista Camarada (2ª série)

A revista Camarada teve duas séries durante os anos da sua publicação. A primeira durou de 1947 a 1951, com 133 números publicados, e a segunda de 1957 a 1965, com 26 números publicados em cada ano, excepto no último. Era propriedade da Organização Nacional da Mocidade Portuguesa, um dos organismos criados durante o regime que se estendeu de 1926 a 1974, e que teve como principal líder António de Oliveira Salazar, depois substituído por Marcelo Caetano, até à Revolução de 25 de Abril de 1974, cuja imagem era inspirada na juventude fascista de Mussolini e da juventude hitleriana alemã.

Para além destes anos de duração, a publicação terá sido mais tarde substituída por uma outra, denominada Pisca-Pisca, que foi editada entre 1968 e 1970. Qualquer uma das duas publicações era destinada aos jovens do sexo masculino, uma vez que para as jovens existia a revista Lusitas, mais tarde substituída pela Fagulha, que durou até 1974 e a que aqui já nos referimos.

Foram diversos os desenhadores portugueses que passaram pelas páginas desta revista, que na sua 1ª fase apenas publicou autores nacionais, passando a incorporar algumas histórias de quadradinhos franco-belgas na 2ª fase. Entre os nomes mais conhecidos estão José Garcês, que colaborou em ambas as fases, tal como António Vaz Pereira e Júlio Gil, ou Bastos Coelho; na 2ª fase destacam-se Marcello de Morais, Ricardo Neto, Carlos Roque, Artur Correia, Eduardo Lemos, Fernandes Silva, Batista Mendes e Nuno Nunes, entre muitos outros.

Em ambas as séries a revista era quinzenal, com capas e algumas páginas a quatro cores e outras a duas cores, o que era raro na época, devido aos custos de impressão de diversas páginas a cores. Na sua primeira fase a dimensão da revista era de cerca de 27 cm por 22 cm, possuindo 16 páginas; na 2ª fase a dimensão passou para 29,5 cm por 21 cm, aproximadamente, tendo os números entre 8 a 12 páginas. O director e editor na 1ª fase foi Bartazar Rebelo de Sousa, enquanto na 2ª fase o director foi Álvaro Parreira e o editor Marcello de Morais.

Muitos outros escreveram nas suas páginas, que continham diversos artigos adequados ao espírito da revista, que pretendia divulgar os princípios filosóficos e os valores patrióticos, morais e religiosos do regime que a sustentava, constituindo ainda hoje uma interessante fonte para quem pretenda dedicar-se ao estudo das organizações de juventude no regime salazarista.

Optámos por colocar aqui o primeiro número da 2ª fase por considerarmos mais interessantes as histórias de quadradinhos aí publicadas.

A digitalização das imagens foi realizada a 72 dpi, podendo ser aumentadas para 150 dpi com um clique do rato sobre as mesmas.



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Capa da colectânea do ano 1 da II Série (1958)

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sexta-feira, abril 09, 2010

A revista Fagulha nº 1

A revista Fagulha foi um dos órgãos da Mocidade Portuguesa, neste caso da Mocidade Portuguesa Feminina, uma organização do regime salazarista destinado às crianças e jovens portuguesas, que num dado período histórico era de frequência obrigatória.

Começou a publicar-se em 1958, tendo durado até à queda do regime, em Abril de 1974, com 391 números publicados, derivando de uma outra publicação, intitulada Lusitas, editada entre 1943 e 1957. A sua correspondente masculina, Camarada, que se publicou desde 1947, chegou a possuir duas séries e mudou de título, mas a esta iremos referir-nos mais tarde, numa outra postagem. Pode ler-se um artigo sobre estas instituições através desta ligação.

Muito do conteúdo da revista evidenciava aqueles que eram os valores considerados ideais para a jovem portuguesa, futura mãe de família: a moral e a ética católicas estavam sempre presentes nas suas páginas, bem como muitos dos predicados considerados essenciais, a subserviência aos maridos, a capacidade de gerar e educar filhos obedientes para o serviço da nação, os dotes domésticos, qualidades da boa mãe e cidadã do regime da sociedade nascida do chamado Estado Novo.

As histórias aos quadradinhos aí publicadas abordavam frequentemente estas temáticas, ou iam ao encontro da literatura tradicional portuguesa, bastante inócua para o regime sob o ponto de vista ideológico ou moral.

O primeiro número data de 15 de Janeiro de 1958, tendo como directora Maria Alice Andrade Santos. Possuía doze páginas e o seu formato era quase idêntico ao A4, mais concretamente cerca de 29,5 cm de altura por 21 cm de largura. As páginas eram impressas a quatro cores ou a preto e branco, alternadamente em cada duas. Não seria uma impressão certamente barata, mas o regime e a organização da Mocidade Portuguesa suportariam os custos. Era vendida nas instalações desta organização, que existiam também nas escolas portuguesas, mas era distribuída gratuitamente às sócias da Mocidade Portuguesa Feminina, à semelhança da sua congénere masculina.

Nesta edição podíamos apreciar histórias desenhadas por José Manuel Soares, que também assinava algumas das ilustrações, e de Artur Correia, nomes incontornáveis dos quadradinhos portugueses de então e que se afirmaram igualmente noutras publicações, havendo ainda histórias desenhadas sem indicação de autoridade.

A digitalização das imagens foi realizada a 72 dpi, podendo ser aumentadas para 150 dpi com um clique do rato sobre as mesmas.



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