domingo, setembro 16, 2007

Beetle Bailey, o Recruta Zero

Beetle Bailey, concebido e desenhado por Mort Walker, não teve uma estreia fulgurante na imprensa norte-americana, ao contrário de outras séries, já que, no seu início, era publicado em apenas 12 jornais, muito embora haja fontes que referem 50.

Nos anos 40, o autor desenhou diversos cartoons, de entre os quais se salientou Spider, rapidamente transformado numa série que apresentava um jovem universitário mais ou menos apático, que fez a sua aparição a 4 de Setembro de 1950. Tendo vendido os direitos à King Features Syndicate, esta logo sugeriu a alteração do nome do personagem para Beetle Bailey, embora nalgumas fontes esta mudança venha referida como tendo sido ditada pelo magnate da imprensa William Randolph Hearst, após ter anteriormente surgido no Saturday Evening Post.

Com a entrada dos Estados Unidos no conflito na Coreia, Walker tomou a decisão de fazer Beetle Bailey entrar no exército, para um quartel intitulado Camp Swampy, onde teve início uma longa relação com o sargento Snorkel. Esta decisão veio a estar na origem do sucesso que a tira obteve, que aumentou devido ao facto de a série ter sido criticada num jornal japonês por mostrar desrespeito para com os oficiais. Mas esta não foi a única ocasião em que alguns aspectos foram influenciados pelas mudanças sociais. Nos anos 60, foi introduzido um personagem afro-americano, um tenente que recebeu o nome de Flap; já em tempos mais recentes, o comandante, o general Halftrack, foi acusado de assédio sexual da sua secretária, Miss Buxley, junto de quem durante décadas se insinuou.

As trapalhadas de Beetle Bailey surgiram assim durante anos, tal como as dos restantes personagens, de que merecem destaque, para além do sargento, Killer, o sedutor, Cosmo, Plato, o intelectual, Zero, o provinciano ignorante, o tenente Peachfuzz, entre outros.

Curiosamente, entre nós, através das edições brasileiras, o principal personagem ficou conhecido como Recruta Zero, ficando o Zero original como Dentinho, o sargento Orville Snorkel recebeu o nome de Tainha, e o general foi baptizado como Dureza; Cosmo tornou-se em Cosme, o tenente Peachfuzz em tenente Escovinha e Miss Buxley em Dona (ou senhorita) Tetê, entre outros.

O grande sucesso de Beetle Bailey, o Recruta Zero, fez com que hoje em dia se publique em cerca de 1800 jornais em todo o mundo, tendo havido algumas edições em formato comics, muito embora – e curiosamente – com pouca expressão nos Estados Unidos. Mas entre nós, para além de ter havido alguns jornais que publicaram a tira, a divulgação fez-se através das edições brasileiras, que fizeram perdurar em Portugal os nomes dos personagens.

Houve ainda uma tentativa no cinema de animação, em 1963, através de uma série de televisão, que contudo não teve continuidade na altura, havendo a assinalar nova experiência em tempos mais recentes. E se, na altura em que encontrava no auge, não houve grande merchandising à volta do personagem, hoje em dia encontram-se à venda diversos produtos relacionados com a série, bem como reedições das suas aventuras.

Mort WalkerMort Walker, de seu nome completo Addison Morton Walker, nasceu a 3 de Setembro de 1923, no estado do Kansas, e é também autor do argumento de Hi and Lois, uma série que nasceu de uma visita de Beetle Bailey a casa da irmã Lois, e que era desenhada por Dik Browne (1918-1998), para além de também escrever os argumentos de outras séries de menor expressão, como Mrs. Fitz's Flats (desenhada por Frank Roberge), Sam's Strip (com desenhos de Jerry Dumas) e Boner's Ark (desenhada inicalmente por Walker, sob o pseudónimo de Addison, e depois por Frank Johnson).

Actualmente a série publica-se sob a autoria de Mort e do seu filho Greg Walker; Hi and Lois actualmente é publicada com argumento de Brian e Greg Walker, ambos filhos de Mort, e é desenhada por Robert "Chance" Browne, filho de Dik Browne.

A tira original aqui apresentada está datada de 1 de Setembro, sem indicação de ano, mas será de 1986, e nela surge a indicação manuscrita To Pat + Janet . Sucess! Mort Walker ’86. Está assinada por Mort Walker e não possui indicação de copyright. A dimensão da mancha é de 32,6 x 9,5 cm e a do papel é de 35,4 x 12,1 cm, aproximadamente.


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sábado, junho 16, 2007

Hagar the Horrible

Hagar the Horrible nasceu pela mão de Dik Browne e foi publicado pela primeira vez a 4 de Fevereiro de 1973 em 136 jornais norte-americanos, distribuído pela King Features Syndicate.

Sendo uma série humorística, as suas tiras e páginas dominicais apresentam uma situação cómica sem continuidade, representando a vida de um guerreiro Viking que se mostra constantemente insatisfeito com a sua vida quotidiana e a sua vida familiar. O seu trabalho é, obviamente, andar constantemente envolvido em pilhagens, mas no fundo o autor pretendeu representar o dia a dia de um simples cidadão da classe média que habita nos subúrbios de uma grande metrópole e que se vê a braços com uma mulher que lhe faz as mais naturais solicitações e que não o deixa preguiçar em paz ou sair com os amigos para uma noite de «copos», como seria o seu desejo, sem que isso dê azo às mais diversas discussões, uma filha adolescente, com os característicos problemas dessa fase, para além da necessidade de prover o sustento da família e ver-se confrontado com modas, com a necessidade de melhorar o seu lar e apetrechá-lo com os mais recentes e (in)dispensáveis aparelhos modernos.

É, por este mesmo motivo, recheada de deliciosos anacronismos, que contribuíram decisivamente para o sucesso que obteve ao longo dos anos, e o universalismo das situações apresentadas certamente terá feito com que, hoje em dia, se publique em mais de 2000 jornais de todo o mundo, para além de ter sido editado em livro nas mais diversas línguas.

Uma fotografia de Dik BrowneDik Browne (Richard Arthur Allan Browne, nascido em 1917 e falecido em 1989) estreou-se no mundo dos quadradinhos por alturas da II Guerra Mundial, escrevendo uma série para um periódico militar, tendo antes realizado ilustrações para o jornal The New York American e para a revista Newsweek. Em 1954, criou Hi and Louis, com Mort Walker (conhecido pela série Beetle Bailey), sendo Browne responsável pelos desenhos e Walker pelo argumento. Quer esta série, quer Hagar valeram-lhe por diversas vezes o prémio da National Cartoonist Society, o Reuben Award, bem como o Elzie Segar Award.

Após a sua morte, em Sarasota, na Florida, a série passou para as mãos do filho Chris Browne, pela qual é ainda hoje responsável.

Quanto a Hi and Louis, o desenho passou para as mãos de um outro filho de Dik, Robert "Chance" Browne, e o argumento passou a estar a cargo de Brian e Greg Walker, filhos de Mort Walker, sendo igualmente publicado actualmente.

A tira aqui apresentada está assinada por Dik Browne e apresenta a data de 10 de Novembro de 1986. A dimensão do papel é de 33,5 x 10,3 cm e a da mancha de 32,9 x 9,4 cm, aproximadamente. O © é da King Features Syndicate.

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