sábado, julho 18, 2009

Zip Nolan

Muitas das histórias aos quadradinhos britânicas, das quais algumas foram publicadas em Portugal, tiveram na sua origem escritores e desenhadores brilhantes, e já aqui nos referimos a alguns deles, bem como a algumas das personagens que criaram. E é pena que sejam hoje em dia praticamente desconhecidos do grande público.

Mas as décadas de 50 a 70 do século XX viram nascer algumas séries curiosas, e Zip Nolan é, certamente, um caso a ter em conta. A principal personagem é um polícia motorizado norte-americano (!) que combate os criminosos baseando-se, em grande parte, na sua intuição e contrariando as orientações transmitidas pelas suas chefias. As suas aventuras surgiram na revista britânica Lion em 1963, publicando-se até 1974, quando esta revista se fundiu com uma outra, Valiant, em que as aventuras perduraram até 1976.

As histórias possuíam duas ou três páginas, e os seus leitores eram convidados a descobrir pistas que conduzissem à descoberta do criminoso, tendo como título Spot The Clue With Zip Nolan Highway Patrol, que podia ser traduzido para Descubra a pista com o patrulha motorizado Zip Nolan.

O desenhador que estreou a série foi Joe Colquhoun, e muitos dos argumentos foram escritos por Michael Moorcock, um prolífico argumentista que trabalhou em diversas séries para a editora Fleetway. Mais tarde, a tarefa de se encarregar dos desenhos foi também entregue a Reg Bunn, a que já aqui nos referimos a propósito de The Spider, e ao italiano Roberto Diso.

Zip Nolan chegou a poder ser lido esporadicamente em publicações portuguesas, muito embora tenha tido pouca relevância e, tanto quanto se sabe, um reduzido número de fãs. Tanto quanto consegui descobrir, foi na revista Selecções de O Mundo de Aventuras que algumas destas histórias foram publicadas, nomeadamente nos números 99 e 105. Na Grã-Bretanha, as aventuras desta personagem foram reeditadas no número 2 de Albion.

A página aqui apresentada é da autoria de Reg Bunn, tendo sido publicada na revista Lion de 28 de Novembro de 1964. No entanto, não apresenta datação nem indicação de autoridade, à excepção de uma nota manuscrita na margem superior, a tinta, onde se lê Lion 28Nov 6x ½ scale Keep as one Zip (97), possuindo também um carimbo na margem inferior com o número 9693. A página é um conjunto de três tiras unidas no verso. A dimensão da mancha é de 50,5 por 38,5 cm, e a do papel é de 53,4 por 42,6 cm, aproximadamente. A imagem pode ser aumentada com um clique sobre ela, tendo a versão maior sido digitalizada a 300 dpi e a imagem menor possui uma resolução de 100 dpi.




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Quite a lot of British comics characters, some of which were published in Portugal, was conceived by brilliant writers and artists, and we have already posted about some of them, as well as about some of the characters they created. And it is sad that nowadays they are virtually unknown to the general public.

But the 50's, 60's and 70's saw the debut of some curious series, and Zip Nolan is certainly one of them. The main character is a North American Highway Patrolman (!) that fights criminals based largely on his intuition and frequently ignoring the instructions of his superiors. His adventures appeared between 1963 and 1974 in the British comic Lion, later merged with Valiant, where it lasted until 1976.

The stories were two or three pages long. Their readers were invited to discover clues that lead to finding the perpetrators, and were called Spot The Clue With Zip Nolan Highway Patrol.

The artist who started the series was Joe Colquhoun, and many of the arguments were written by Michael Moorcock, a prolific scriptwriter who worked on several series for Fleetway. Later, Reg Bunn, who we have already mentioned about The Spider, took over the series, as well as the Italian artist Roberto Diso.

Zip Nolan was occasionally published in Portuguese comic books, but with little sucess and, as far as we know, only a few fans. We have found two adventures in issues 99 and 105 of the comic Selecções do Mundo de Aventuras. In Britain, the adventures of this character were reprinted in Albion #2.

This page was drawn by Reg Bunn, and it was published in the 28 November 1964 issue of Lion. However, it has no other indication besides a handwritten note at the top: "Lion 28Nov 6x ½ scale Keep the one Zip (97). It also has a stamp on the bottom with the number 9693. The page is a set of three strips glued together on the back. The size of the drawings is 50.5 by 38.5 cm, and the paper is 53.4 by 42.6 cm long, approximately. The image shown has a resolution of 100 dpi and it can be enlarged to a 300 dpi version with a click of the mouse.

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sábado, março 21, 2009

The Spider, King of Crooks (o Aranha), de Reg Bunn e Jerry Siegel

The Spider, que ficou conhecido em Portugal como Spider ou Aranha, é uma personagem algo atípica no mundo dos quadradinhos. Trata-se de um herói vilão, um criminoso, um fora da lei, cujas actividades são totalmente ligadas ao crime e cuja pretensão é tornar-se no maior criminoso do mundo. Tendo surgido nas páginas da revista britânica Lion a 26 de Junho de 1965, da editora Fleetway, logo se tornou numa das principais figuras desta revista, criando uma legião de admiradores. Fez parte de uma campanha para dar maior relevo à revista, que existia desde 1952, e que, face ao surgimento na Grã-Bretanha de comics norte-americanos, sobretudo da Marvel, com os seus característicos super-heróis, necessitava de renovação e de inovar o tipo de aventuras que apresentava nas suas páginas.

Um pouco à semelhança do Garra de Aço (The Steel Claw) das primeiras histórias, optou-se então pela apresentação de um anti-herói, cujas origens nunca foram determinadas, nem justificado o facto de ter uma fisionomia estranha, com orelhas pontiagudas, como o Mister Spock da série televisiva Star Trek (que também possui uma versão em quadradinhos, a que mais tarde aqui nos referiremos), e uma inteligência fora do normal, no entanto completamente orientada para o crime e para a criação de artefactos extraordinários, que o ajudavam nas suas façanhas. Logo após a primeira aventura, rapta um cientista que é também criminoso, e os extraordinários utensílios que utiliza são reforçados com novos aparelhos criados por este cientista, que se torna seu auxiliar. Aliás, a sua equipa foi crescendo a pouco e pouco, numa quadrilha onde ocasionalmente reinava a dissensão e que, por diversas vezes, pensando que o seu líder tinha morrido, chegava a pretender repartir o lucro dos vários crimes praticados.

Não se tratando propriamente de uma personagem dotada de superpoderes, como os heróis e vilãos norte-americanos (e também alguns britânicos, como era o caso de Tim Kelly, de Kelly’s Eye, também publicado entre nós), ainda assim muitas das suas acções caracterizavam-se por uma demonstração de capacidades fora do normal, permitindo alguns combates com outros criminosos dotados de fantásticos poderes, que constituíam claramente uma ameaça à sua pretensão de dominar o mundo do crime.

Capa de O Mundo de Aventuras nº 1121, de 18 de Março de 1971, com uma aventura do herói.Na origem de The Spider está o argumentista Ted Cowan e o desenhador Reg Bunn, tendo as histórias pouco depois passado para a responsabilidade de Jerry Siegel, um dos criadores de Superman, o Super-Homem, que se encarregou de dar origem à maior fatia das histórias publicadas, a partir de 1966, com a aventura The Spider v Dr. Mysterioso.

Capa de O Mundo de Aventuras nº 1158, de 2 de Dezembro de 1971, com uma outra aventura do «Aranha».A acção tinha lugar nos Estados Unidos, nomeadamente em Nova Iorque, ficando o refúgio da personagem num castelo que havia sido transportado da Escócia pedra por pedra e reconstruído num local ermo e isolado das redondezas.

Publicando-se entre 1965 e 1969, as aventuras desta personagem foram depois reeditadas na revista Vulcan a partir de 1975. Entre 1967 e 1970, surgiram algumas aventuras na publicação anual Lion Annual. Mais pormenores e uma cronologia das aventuras, bem como a indicação dos seus autores pode ser vista através desta ligação.

Reg Bunn (1905-1971), o principal artista da série, foi contratado após uma campanha levada a efeito em 1949 pela editora Amalgamated Press na imprensa para encontrar novos talentos, tendo levado uma vida difícil até começar a trabalhar como desenhador. Mas a sua mestria foi recompensada, já que se encarregou de desenhar inúmeras páginas para diversas revistas, tendo um ritmo de trabalho muito elevado, o que o levava frequentemente a abdicar cada vez mais de desenhar os fundos, concentrando-se nos pormenores, resumindo aqueles a um conjunto de traços, o que lhe granjeou a fama de rei do cross-hatch entre os seus pares. Muito do seu trabalho pode ser apreciado numa edição recente da Titan Books dedicado a The Spider. Uma crítica a esta publicação pode ser lida aqui. Como já havia acontecido e referido neste blogue acerca de Archie, o Robot, também The Spider foi retomado em Albion, por Alan Moore.

Capa do Jornal do Cuto nº 48, de 31 de Maio de 1978, que dá início à aventura «Homem-Aranha [sic] contra os Sete Sinistros», e que se estenderá, em continuação, até ao nº 88.Em Portugal, as aventuras desta personagem foram divulgadas sobretudo através de O Mundo de Aventuras, não tendo, no entanto, obtido o mesmo reconhecimento de outros países, como na Alemanha, França ou Itália. O seu nome nas aventuras era Aranha, tendo também surgido no Jornal do Cuto e em algumas outras publicações.

A página original aqui apresentada pertence à história intitulada The Spider versus The Crime Genie, sendo da autoria de Jerry Siegel (arg.) e Reg Bunn (des.). Não estando datada nem assinada, foi publicada na revista Lion, a preto e branco, como era habitual, a 4 de Março de 1967, conforme indicação manuscrita no topo da prancha.

A dimensão da mancha é de 46,3 por 38,5 cm, e a do papel é de 49,4 por 40,5 cm, aproximadamente, sendo constituída por duas tiras unidas no verso, sendo a superior bastante maior em altura do que a de baixo, constituída por duas vinhetas distintas. Devido à dimensão da prancha, a digitalização foi feita em diversas partes e depois unida, pelo que a imagem aqui apresentada apresentará algumas deficiências.




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