quinta-feira, julho 26, 2007

Jeff Hawke, de Sydney Jordan

Jeff Hawke, da autoria de Sydney Jordan, surgiu a 15 de Fevereiro de 1954 nas páginas do jornal britânico Daily Express, mantendo-se aí até 5 de Maio de 1975, muito embora o verbete na Wikipedia aponte outras datas, e o sítio dedicado à personagem aponte como última tira a H6412, com o ano de 1976, quando o autor abandonou a série para criar Lance McLane para o jornal escocês Daily Record, tendo a tira sofrido alterações em 1977, a partir da altura em que a série passou a ser distribuída por uma agência nos Estados Unidos, apresentando-se Hawke inicialmente como Lance McLane (editado em Portugal pelo Mundo de Aventuras).

A informação obtida sobre o personagem é bastante díspare nas várias fontes que consultei sobre o assunto, já que numa outra página consegui obter as datas de publicação dos episódios, e estes referem ainda a tira H6413 como sendo de 1 de Novembro de 1975, para além de ainda apresentarem o episódio intitulado Heir Apparent com as tiras 6414 a 6487.

Reprodução da capa da revista «Espaço» número 21, dedicada a uma aventura do personagem.Para além da confusão de datas, fica o registo desta excelente série de ficção científica, que curiosamente obteve maior sucesso em países não anglófilos, como foi o caso dos países nórdicos, de Itália, Espanha e Portugal, onde se publicou em diversas revistas, principalmente nas editadas pela Agência Portuguesa de Revistas, como o Mundo de Aventuras e a colecção Espaço, sob a designação Falcão do Espaço.

Se no início tanto o argumento como os desenhos foram da autoria de Sydney Jordan, a partir de certa altura os episódios passaram a ser escritos por Willlie Patterson (numa colaboração que se estendeu até 1969), verificando-se a participação de Nick Faure no desenho a partir desse ano e, esporadicamente, de Martin Ashbury, para além de Brian Bolland e Paul Neary já na última fase.

Este piloto da força aérea britânica, como tinha sido concebido inicialmente, era um personagem que apresentava muitas semelhanças com outros heróis deste género de aventuras, sofrendo uma grande alteração desde que se iniciou a participação de Patterson, dando-lhe um cariz mais adulto, ganhando o desenho um maior contraste entre brancos e negros, até ao abandono do argumentista, altura em que o declínio começou a acentuar-se.

Fotografia de Sydney JordanSydney Jordan não havia começado a sua carreira com este herói; no início trabalhara como assistente de Len Fullerton em Dora, Toni and Liz, criando um personagem de ficção científica intitulado Orion. Após ter abandonado Dundee por Londres, onde ingressou na agência Man’s World, criou Dick Hércules, e resolveu apresentar o projecto de Orion ao jornal Daily Express, onde o aconselharam a fazer do principal personagem um piloto da força aérea britânica. O que deu azo ao surgimento de Jeff Hawke.

Houve muitas edições dos diversos episódios da série, embora em Portugal, infelizmente, a reedição de clássicos continue a ser demasiado esporádica para que seja digna de menção, aparte alguns álbuns pela editora Futura há já alguns anos a esta parte. Mas noutros países, como por exemplo em Itália, podem ser adquiridas diversas reedições da série.

O original aqui apresentado não possui data, como é hábito nas tiras britânicas, possuindo o número H2586, pertencendo portanto ao episódio The Gamesman, publicado entre 14 de Julho e 23 de Setembro de 1962. Na parte de trás da tira está escrita pela mão de Sydney Jordan esta mesma indicação, como se pode observar pela imagem. Na parte da frente surge igualmente a assinatura do autor, por baixo da última vinheta. A dimensão da mancha é de 38 x 10,4 cm e a do papel é de 42 x 14 cm, aproximadamente. O desenho apresenta alterações feitas com tinta branca.




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Reprodução da inscrição no verso da tira.


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domingo, julho 22, 2007

Alley Oop

V. T. Hamlin criou Alley Oop nos inícios dos anos 30, inspirando-se para o título da série (que é também o nome do principal personagem) na frase pronunciada pelos acrobatas franceses (Allez Oup), tendo utilizado a temática pré-histórica devido ao seu interesse por fósseis, que decorreu do seu trabalho para companhias de exploração petrolífera nos Estados Unidos.

Na altura, despertou o interesse de uma pequena agência (a que nos Estados Unidos chamam syndicate) norte-americana, intitulada Bonnet-Brown, que iniciou a sua distribuição a 5 de Dezembro de 1932. Mas logo depois a agência faliu, e só algum tempo mais tarde a NEA - Newspaper Enterprise Association retomou o interesse pela série e a começou a distribui-la, estreando-se a 7 de Agosto de 1933. A 9 de Setembro do ano seguinte a página dominical começou a ser publicada, mantendo-se até aos dias de hoje.

As aventuras deste personagem da Idade da Pedra (bem como dos personagens secundários, entre os quais se contam a namorada do protagonista, Ooola, Foozy, o dinossáurio de estimação Dinny, o Rei Guz, entre outros) não se limitou ao seu período cronológico e ao seu país, chamado Moo, já que uma máquina do tempo os transportou para diversas épocas, incluindo ao século XX e até a uma ida à Lua em 1947, envolvendo-os numa enorme quantidade de peripécias dotadas de bastante sentido humorístico.

Mantendo assim uma presença regular nos jornais norte-americanos, a série não obteve no entanto grande destaque em revistas, sendo publicada em The Funnies, da editora Dell, e mantendo alguns títulos próprios nos anos 40, 50 e 60, muito embora tivessem curta duração. Em finais dos anos 80 e princípios dos anos 90, voltaram a surgir durante um curto período de tempo, e alguns episódios da série foram publicados pela Dragon Lady Press e pela Kitchen Sink, mantendo uma presença mais ou menos regular na revista Comics Revue. No cinema houve algumas adaptações a desenhos animados, mas com fraca expressão. Contudo, possuía muitos adeptos, e isso poderá explicar a sua longevidade.

Fotografia de V. T. HamlinV.T. Hamlin, nascido no Iowa a 10 de Maio de 1900 e falecido a 14 de Junho de 1993, acabou por reformar-se em 1971, entregando a continuidade de Alley Oop ao seu assistente desde 1950 Dave Graue, que a partir de 1967 passou a encarregar-se da totalidade das tiras diárias e desde 1971 das páginas dominicais, sendo assistido por Jack Bender desde 1991, o qual acabou por assumir a responsabilidade total dez anos mais tarde, quando Graue faleceu num acidente de viação, passando desde então a contar com a colaboração da sua mulher, Carole Bender.

Fotografia de Dave GraueA enorme popularidade de Alley Oop levou Max Allen Collins a fazer um documentário sobre a série, exstindo até um blogue especializado na análise crítica da mesma.

A sua publicação em língua portuguesa foi pouco difundida no nosso país, pese embora a popularidade e longevidade da série, ficando conhecida a versão brasileira, com o título Brucutu, sobretudo através da revista Gibi Mensal e Gibi Semanal, mais tarde reunidas em almanaques intitulados Gibi Nostalgia. Passou esporadicamente pelas páginas de algumas revistas portuguesas, como, por exemplo, o Mundo de Aventuras, na sua primeira série, com o título Trucutu.

O original aqui apresentado está datado de 27 de Maio de 1972, apresentando a assinatura de Dave Graue, bem como a de V.T.Hamlin. O © é da NEA e a dimensão da mancha é de 50,6 x 15,1 cm e a do papel de 52 x 16,1 cm, aproximadamente.




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terça-feira, julho 10, 2007

Skyroads

Skyroads, desenhado por Dick Calkins sob argumento de Lester Maitland, fez a sua estreia em 1929, tendo durado até 1942, quando as séries dedicadas aos «ases dos ares» começaram a obter menor sucesso após um período áureo que em grande parte se deveu à novidade deste meio de transporte, à influência de aviadores como Charles Lindbergh, e também ao espírito aventureiro que os aviadores despertavam junto do público e que posteriormente se transformou radicalmente com o final da II Guerra Mundial, quando alguns ex-pilotos militares acabaram por assumir o protagonismo em séries como Steve Canyon, de Milton Caniff.

Ambos os autores desta série em tiras diárias eram aviadores, mas depressa cederam o seu lugar a assistentes como Zack Mosley e Russell Keaton, o que sucedeu por volta de 1933, o primeiro mais conhecido por se ter tornado o autor da série Smilin’ Jack, e o segundo por desenhar Flyin’ Jenny.

Inicalmente Skyroads não tinha um herói bem definido, e as aventuras incidiam em Ace Ames e Buster Evans, que eram os proprietários de uma companhia de aviação intitulada Skyroads Unlimited, mas mais tarde surgiram várias figuras a merecer destaque, sendo a ausência de um protagonista bem definido a causa principal do pouco sucesso que acabou por obter, conhecido que é o gosto do público norte-americano por heróis com quem possam identificar-se de uma maneira clara.

Chegou a atingir algum sucesso durante alguns anos, tendo surgido sob a forma de programa de rádio em 1939, e tido algumas reimpressões através dos Big Little Books e na revista Famous Funnies, embora nunca tendo obtido destaque na capa. Russell Keaton (nascido em 1910 e falecido em 1945) encarregou-se da série até 1939, abandonando-a para "Leon Gordon" (um pseudónimo do artista Leonard Dworkins).

O original aqui apresentado é a tira diária número 115, datada de 1938, sendo da autoria de Russell Keaton, apresentando a sua assinatura através da sigla RK no canto inferior esquerdo da última vinheta. Contém a indicação «Protected by John F. Dille Co.» A dimensão da mancha é de 50,8 x 11,7 cm e a do papel é de 56 x 15,5 cm, aproximadamente.




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sexta-feira, junho 29, 2007

Jerry On The Job, de Walter C. Hoban

Jerry on the Job surgiu em 1913, pela mão de Walter C. Hoban, ainda nos primórdios da publicação de quadradinhos nos jornais norte-americanos, surgindo no New York Journal, um dos periódicos de William Randolph Hearst, sendo logo depois distribuído pela King Features Syndicate. Tratava-se, na altura, de uma tira diária, que só veio a ter página dominical em 1921, tendo esta durado apenas até finais dos anos 20.

O principal personagem, Jerry Flannigan, tinha a aparência física de uma criança, de reduzida altura e uma cabeça bastante grande para a dimensão do resto do corpo, muito embora apresentasse já capacidades dignas de um adulto, como ser capaz de desempenhar uma série de profissões e viver uma vida independente de relações parentais, que iam desde trabalhar como paquete num escritório, empregado numa loja e até de lutador, saltitando de emprego em emprego e gerando uma série de situações humorísticas devido à sua reduzida estatura.

Após o regresso de Hoban do serviço militar prestado durante a I Guerra Mundial, período em que a série esteve interrompida, Jerry passou a trabalhar numa estação da caminhos de ferro, sob a supervisão de um personagem intitulado Mr. Givney, desempenhando uma multiplicidade de tarefas, entre as quais se destacava o acompanhamento de diversas excentricidades do chefe da estação, de que o episódio do original aqui incluído é um bom exemplo.

Mas uma das principais características desta série foi a inclusão de atitudes exageradas, que se traduziam em desmaios e quedas, como reacção emotiva a situações inesperadas ou surpreendentes, principalmente no caso de Mr. Givney, que veio trazer inovação aos desenhos, tal como o foram a inclusão de frases humorísticas espalhadas pelos desenhos (como o exemplifica a frase «Drop coins here» por cima de uma ranhura na parte lateral do cofre na vinheta nº7), e que mais tarde se tornaram habituais em muitas outras séries, tanto nos Estados Unidos como em outros países.

A popularidade de Jerry trouxe consigo o acesso ao cinema, através da realização de diversos episódios de cinema de animação, que se iniciaram com Jerry Ships a Circus, em 1916, e que se prolongaram até 1920.

Walter C. Hoban, nascido em Fidadélfia, na Pensilvânia, em 1890, começara a sua carreira como aprendiz de jornalista no diário Philadelphia North American, tendo começado por desenhar gags humorísticos relacionados com o desporto. Em 1912 passou a trabalhar para o New York Journal, para a qual criou Jerry on the Job. Já nos anos 30 terá criado outras séries, que no entanto não obtiveram grande adesão do público, o que levou o seu autor a desistir dos quadradinhos e a trabalhar para publicidade, até à sua morte em 1939. Algumas das suas tiras podem ser vistas aqui

O original aqui reproduzido é a metade inferior de uma página dominical, estando as vinhetas numeradas de 7 a 12. A assinatura Hoban surge na última vinheta, mas não apresenta data de publicação, supondo-se que terá sido publicado em 1927, como aparece escrito a lápis, na parte de trás da folha. A dimensão da mancha é de 47,1 x 26,9 cm e a do papel é de 50,3 x 28,4 cm, aproximadamente.




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